terça-feira, 19 de setembro de 2023

Sobre a normalidade irreal

 Texto Beta Costa que é meu ego autobiográfico

Dança Roberta Bonfim


Ela descobrirá a crise de ansiedade tardiamente, devem ter sido as crises de riso que afastaram para longe todos os medos do mundo que nela habitavam escondidos sem querer perder morada. Mas quando ela degustou o doce excêntrico do momento em que se toma as rédeas de sua vida de modo extremamente dolorido, e o que até ali chamava de solidão torna-se de algum modo, liberdade. Como se a repetição do desejado por fim lhe tomasse o corpo, a mente e o espírito e as culpas fossem aos poucos dissipando à medida que vai tomando consciência das realidades possíveis. Mas voltemos às crises de ansiedade que vieram após a queda da cadeira que lhe fraturou a coluna e a fizera ter profundo medo da morte, que um ano antes também a assustou com a retirada emergencial do apêndice. 


O fato é que com a ansiedade ela acabou descobrindo novos ritmos do seu coração e alguns não tão confortáveis como os que ela já estava de algum modo familiarizada. E vivência a sua primeira visita a uma cardiologista, mulher óbvio. Ela não colocaria um homem para cuidar do seu coração, já que na vida nunca tivera nenhuma grande referência masculina, que não os autores que gostava de ler. A médica lhe solicitou exames, de sangue, um mapa cardíaco e da pressão arterial, além de uma bela corrida na esteira para saber como anda este coração.


Fazer exames e constatar que tudo anda bem virou lugar de extremo prazer para ela que com isso ainda conseguiu aprender a lidar com sua própria ansiedade, no tempo da espera que se dilata. Como uma alma em cura a grosso modo tem que corpo reagindo, existem outros médicos e exames no caminho, mas quero bem falar sobre o mapa cardíaco.


Você sabe do que se trata um mapa cardíaco? A Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) é um exame que permite o registro indireto e intermitente da pressão arterial durante 24 horas, enquanto o paciente realiza suas atividades habituais e também durante o sono. Ela já tinha visto outras pessoas fazendo, mas era a sua primeira vez. E enquanto esperava para colocar o aparelho pensava no tempo, nas prioridades de cada fase e na espera por um mapa, em uma vida urgente por ser vivida. Observava as pessoas naquela salinha de tensão disfarçada em sorrisos gratuitos, ou apenas uma sutil cumplicidade. 


Na sala onde colocou o aparelhinho que lhe acompanharia pelas próximas 22 horas, obrigando-a a parar de 20 em 20 minutos, respirar e esperar até que a pressão fosse aferida. E ali colocando o aparelho ela perguntava tudo que vinha à cabeça, a fim de evitar a fadiga posterior. Sabia que quanto mais segurança tivesse do processo, mais tranquilo seriam essas horas. 


Saindo da clínica foi testar o efeito do THC na sua pressão arterial, e também do alongamento. Então foi buscar sua criança na escola e atravessar todo shopping para levá-la a uma festinha da coleguinha da escola. Viver no Ceará é saber-se olhando e ela ali desfilando linda com meu mapa despertou olhares e criatividade na construção das narrativas de pedaços que ela se esforçava para ouvir, e sorria segurando forte a mão de sua criança. Deixou a sua filha em sua primeira festa com a colegas. Não quis abrir mão deste momento e conhecia as complexidades que seguiam dele.


Enquanto a criança se divertia com os colegas descendo o escorrega, ou se fantasiando de dinossauro, ou ainda cantando os parabéns, ela, a mãe andava pelo shopping com seu corpo sendo mapeado. E, deu-se de presente duas calcinhas, uma cueca para dormir e um sutiã, para criança uma pantufa e para o tédio de quem detesta shopping amendoins cobertos com chocolate e a contagem do tempo, que em shopping passa em outro tempo, mas é ainda outro quando de 20 em 20 minutos um apito seguido de um aperto no braço te obriga a parar e entrar em estado de presença. Quando não consegue parar, com um castigo de adestramento a pressão no braço lhe parecia maior só de sacanagem. 


Então a rotina com paradas e o dormir com a máquina, mas logo ela já parecia adaptada, talvez só não mais pela impossibilidade de um bom banho. Na manhã seguinte a máquina já lhe parecia familiar e até o look já combinava com o estilo do aparelho mapeador do seu coração. Em algumas paradas ela refletia a respeito do tempo, em outras da respiração, e a risada sempre que lembrava da profissional que instalou nela o mapa, indicando vida normal. Se vida normal então já que a terapia virara papo de amigas com profundas complexidades particulares dela que mesmo sempre tendo sido, parece às vezes novata neste corpo que lhe pertence, com esta mente que lhe é nata e nesta vida que aparentemente é a sua, por mais que às vezes tudo lhe pareça de um filme não gravado além de sua mente. 


E a mente… A mente… A memória que lhe visita em todas as histórias e a que escreve ao existir, em letras, movimentos e pessoas. 

 



E antes de tirar o aparelho ela sentiu a necessidade latente de dançar de ativar este corpo e o convidar por uma máquina que pare e se reequilibre tal hora. É pedir que o corpo experimente junto com a consciência o parar no ato de mover-se. Ao se mover a máquina chega mesmo a deixar de existir, assim como o medo de morrer. Você já sentiu esse medo? Ela sim e vou dançar mais isso outro dia por aqui. hihihihihi



segunda-feira, 28 de agosto de 2023

Ensaindo voltar a partilhar percepções

 Faz um tempo que não escrevo por aqui, o último texto é de 2019. Mas ando mesmo sentindo a ausência desta escrita que depois eu encontro, essa que muito me explica sem tanto dizer, ou diz muito e nada deseja além do ato da própria escrita. E assim os dedos deslizam pelas teclas do teclado, como que brincam de correr em dupla, indo para um lado e outro,em cima , lateralidades e também para baixo, ocupam todo pequeno teclado as minha grandes mãos que escrever sem respiro nem meu, nem delas. é que a escrita é mais que um simples desejo, é uma necessidade. 


E agora escrevo um misto de tantos afetos vividos apenas hoje. Este blog que tanto já foi, inclusive abandonado, é hoje para mim um lugar de depositar escritos e reflexões, que não se propõem a serem verdades absolutas, mas apenas o que são. E agora paro e penso, nossa! Percebo sobre o quanto eu poderia estar escrevendo, mas ando mais querendo escrever para me entender, uma coisa Mariana Aydar ao cantar:


EU ME ENTENDO ESCREVENDO


Hoje por exemplo entendi o quanto me doe ver meu lugar sendo mais uma vez mexido, tenho dificuldade de reconhecimento espacial, tá tudo tão igual. No caminhar incontaveis falas e observações dos que passam e pelos quais passo. E eu estava sem oculos para meus ver e ouvir e ainda sim em dada hora eu chorava e me indignava. E então cruzei olhar com o ed São Pedro e outras tantas reflexões e o que eram casas foram virando outras coisas e naturalmente me pergunto sobre os que ali moravam e que era parte do lugar. Mais tapumes, obras exigem tapumes, aqui amarelos e com a marca da prefeitura de Fortaleza, que me fazem rir ao me perceber tentando calcular quanto foi gasto só de tinta látex amarela para tanto. Ri pelo absurdo da reflexão e da ação quando estamos em Fortaleza e suas incontáveis questões que vão desde prédios de 70 andares à retirada de pedras com vida para um chão de cimento sem qualquer identidade, mas bons para se andar de bicicletas, patins… mas então para quem as ciclofaixas? E os barraqueiros aparentemente se perguntam sobre o futuro. 


"E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar." Toquinho


Até chegar onde hoje é o Instituto Belchior, mas que fora antes tantas coisas, inclusive o Latratoria onde tomei minha primeira sangria da vida, ou o Cais Bar, formador musical de muita gente da cidade. O fato é que chegando ali comecei minimamente a me sentir efetivamente na praia, pela praia. Segui andando que meu destino era um mergulho no Poço da Draga e olhei para a Ponte Metálica fechada e a dos Ingleses inacabada de mais uma de suas reformas. Ali ainda um trecho com pedras Cariris colocadas outro dia depois de muita luta para que não fosse colocado, ali olho o entorno e choro com uma sensação de despedida, não passo sempre andando ali, talvez na próxima nada mais seja como está, e ainda mais distante do que já foi. E sigo andando, quando mais um tapume me impede inicialmente de seguir e onde havia chão, quebraram, já é areia, dificultando a passagem. Eu por minha vez segui até o meu destino. Olhei a ponte de perto e achei interessante que deixaram as frases afetivas.



https://www.instagram.com/p/CwXeaIPLyRe/?utm_source=ig_web_copy_link&igshid=MzRlODBiNWFlZA== 



Entrei no Poço da Draga, abracei e fui abraçada, conversei, fotografei, conversei, tive a bolsa batizada por um gato sem vergonha e gravei com a blusa da Ivoneide, depois de ter já sorrido com Cassinha, Mari, João, Djey, Ivoneide, Benedita, Ivan, Fatinha, Izabel, Fernanda e tanto mais gerando conteúdo para transformadora Composta Poço e ainda realizei o mergulho e comi couve flor feito com amor. E segui para casa para cumprir meu papel de mãe e neta que eu também amo, e então uma passagem pelo shopping, comer comida queimada com som mais alto que o necessário, com brinquedos caros e de plástico.


https://www.instagram.com/p/CwdFZrCLrS_/?utm_source=ig_web_copy_link&igshid=MzRlODBiNWFlZA==

SHOPPING É UM LUGAR QUE ME GERA DESCONFORTO, NUNCA SEI ONDE ESTOU NEM QUE HORAS HAVERÃO DE SER.


Em casa ler histórias africanas para filha e aprender junto sobre tanto e agradecer pelo grande do dia e então a filha dizer que é domingo e quer ir dormir na avó e eu ganho um vale noite para escrever neste blog depois de quase 5 anos para dizer que sigo amando o Poço da Draga e agradecendo a existência de cada ser que me inspira transformações necessárias, urgentes e possíveis. 



Escrevi ontem, dormi antes de concluir e/ou postar… mas segue, já que este blog trata-se das minhas percepções. E agora quando decido postar um beija flor me visita e faz seu show e parte, como quase tudo nesta vida. Grata


terça-feira, 23 de julho de 2019

Sonhar Junto É Muito Bom!



Hoje 06 de julho de 2019, depois de algum tempo no iniciar da construção de relação 
com o Poço da Draga, tivemos nosso primeiro encontro do Festival de arte e conexão
Além da Rua com a Comunidade que foi convidada para que possamos melhor nos
apresentar e também descobrir onde objetivamente podemos somar.

Eu como eu mesma e como responsável pela revista eletrônica cultural Lugar ArteVistas
- arte onde estiver - lamento profundamente que meus olhos não filmem os encontros e
trocas vividas neste lugar.

(foto Jether)

A começar pela família Lima, Marilac (mãe da Jessica que é amiga da minha comadre 
Mayane Andrade - quem desde o primeiro momento me atendeu com simpatia e 
disponibilidade, depois Izabel e Junior, a turma da ONG Velaumar e todos os maravilhosos 
agregados, prefiro não citar nenhum, para evitar de esquecer algum. Todos, sem exceção 
que encontrei e conheci nas idas ao Poço da Draga são seres incríveis.Desses que faz bem pra vida da gente conhecer. Grata por existirem e serem tão maravilhosas e conscientes de suas responsabilidades com os outros que somos todos nós.

(foto Jether)

Nessa linha o Festival Além da Rua me apresentou a Associação Anjo Rafael, que 
desenvolve muitas coisas, mas organizam-se, assim; Projeto Livro que Passa - que se propõe a levar livros, cores e histórias - Lar que Planta - que ensina como plantar, especialmente plantas medicinais,e cuidar das mesmas,, além de ensinar como fazer a estrutura das mesmas, com uma oficina sobre marcenaria e plantio, e Sua Ajuda Muda as Cores da Rua  - que foi onde eu os conheci em ação junto com o grupo Amare E que lindo o que eles fizeram. 

(foto Viktor)

E os maravilhosos Tereza e Robézio, do Acidum Project, ainda pintaram Dona Neide olhando seu varal. E a Prefeitura até fez o seu trabalho e mandou limpar a Praça na frente da casa da gentil e simpática. senhora. . E o que é tudo isso? 



Amor! E eu me sinto absolutamente feliz em poder conhecer projetos tão conscientes de 
suas responsabilidades humanas. E nesse projeto ainda temos ATO Marketing Cultural, na
pessoa de Ivina Passos, e tem Ícaro Sampaio< Decco, Suellen, a dupla dinâmica Acidum, Well, Jether, Lorena, o duo Instagrafite e tantos outros. Sou mega grata e feliz por tudo isso, mas daí hoje pela manhã, as 09 e 10 da manhã para ser mais exata, percebi que já estava atrasada, porém, precisava tentar deixar Ana Luna de boas, para também sair tranquila e poder fazer o que precisava ser feito. Mas, foi quando entrei no carro que falei com Jether que já estava lá a minha espera que pensei:


Caraca! E agora? Eu estou indo ao Poço da Draga, o fotógrafo já chegou, ninguém mais 
disse nada no grupo do festival, mas eu precisava ir. O que eu iria dizer? Lembrei das 
perguntas que me vieram após a última visita ao Poço, feita no dia anterior.
Dia 05 de julho - a casa de Seu Chico da Rosas., o Seu Lunda do Poço da Draga, mas de uma gentileza e receptividade sem igual. Só me cortou mesmo quando eu pedi pra ouvir seus inúmeros vinis. Ai ele logo fechou o armário me privando de reconhecer os tantos títulos ali guardados. 

Seu Sebastião, um dos responsáveis pela Colônia estava lá e também pude conversar um bocado com ele, daí apareceram Manoelzinho e seu filho, que desmaiou em sua primeira sianda de jangada o que não o impede de ir tantas outras vezes, e mais alguns, inclusive os compradores. É que a casa de Seu Chico além de ser um lugar no mínimo interessante ainda é lugar de venda de produtos para pesca artesanal. Ao final do papo, o forte aperto de mão e inúmeras perguntas na cabeça. E essas perguntas me deram segurança para o momento.

Desci do carro, abracei Jether, esperamos Ivina e Mika, encontramos com Bruno e entramos. Na entrada palmas puxadas por Marilac. Ouvimos o turma de teatro da UFC que vai desenvolver trabalhos com a comunidade na próxima semana. Depois Marilac apresentou-nos e me chamou. E ali, já estava tudo certo, eu percebi que já me sentia em casa e foi massa, conseguimos trabalhar a ideia de resgate, falamos sobre ações possíveis, sentimos alguns números e passarmos. E estou pra ver coisa melhor que papear. 
Na saída a vontade de ficar só mais um pouco!
Vou ali visitar o colonizador, mas volto já!

Pra completar, na saída a professora Karla Patricia me promove para ser do Grupo do Lerha.

domingo, 24 de setembro de 2017

Um Grito de Evocação

Evoé!

Eis o nome do primeiro álbum do cancioneiro Daniel Medina, artista intrigante que tem ao seu lado uma banda inteira. Começo falando da banda, pois os sons propostos e executados por Saulo Duarte (também responsável pela produção musical), Bruno Rafael, artista de uma bela liberdade em viagem sonora, Igor Caracas, transforma-se em um gigante com sua bateria e manda ver em passos e compassos, o tecladista viagem nos remete a outro espaço-tempo (perdão por não recordar seu nome, se alguém souber manda a pesca). O espetáculo contou ainda com a participação do talentoso Victor Colares e voz forte de Juruviara, que junto com Daniel Medina emocionaram cantando "Boi Cidade", há no show alguns momentos mágicos, como quando Medina nos compartilha "Lágrima de Índio", ou quando convida a plateia entregue a cantar junto; "apesar nos perigos, nós estamos vivos, nós ao vivo..."





Dos músicos ao lugar. O Theatro José de Alencar por si já é pura magia, com história em toda sua existência e sempre disposto a oferecer sua majestade. Foi bonito ver um bela casa na apresentação de artistas tão nossos, em uma  sexta as 20:30h/min. E som somado, ao luz e cenário simples e belo deram um toque especial a este momento de evocações.

Evoé Medina!Por se manter em pleno fluxo de criação, suas obras são especiais e marcantes, repletas de emoções de Fortaleza e a adaptabilidade de suas Dunas, mas se que se mistura com gostosura com o urbano que dialoga em São Paulo, assim percebo Evoé! que se encontra em todas as plataformas digitais. Segue link YouTube https://www.youtube.com/watch?v=nrMcd_Z7NoI

Mas se como eu, gosta mesmo é do álbum físico, então tá facim, pois Evoé! tá com campanha de financiamento coletivo no www.catarse.me/danielmedina.

E assistindo os vídeos que fiz do show, bateu uma saudade de ouvir mais de Daniel Medina, assim recorri a assistir ao Lugar ArteVistas que fizemos juntos e que nos foi uma grande alegria.




http://lugarartevistas.com.br/ceara

#arteondeestiver #tja #gratavida #danielmedina #vento #terra #simborala









quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Aprendendo com quem se quer bem

Eu acabava de chegar no Rio de Janeiro, minha vida inteira se prometia diferente e eu começa a descobrir que eu podia ser se s=me esforçasse, ainda caminho nesta caminhada de descoberta e estou bem certa que pessoas como João Artigos, que conheci através da indescritível Dane de Jade, são fundamentais no processo.

Não digo isso como hipótese, mas como constatação de fato, pois tempos depois convidada a fazer a comunicação de uma Mostra de Solos em Maranguape, o reencontrei, ele que no Rio era praticamente meu vizinho, João Artigos, que apresentou Homem Bomba e alcançou seu ácidos e deliciosos objetivos. E a arte cumpriu seu papel!



Mais encontros por ali, ou aqui, as festas Parangolé, a Igreja do Phoda-se, Fernando Pessoa no espaço do Teatro de Anônimo e os papos e bons encontros que nascem daí.

Bom demais papear com João, tão bom que até esquecemos da hora, das brechas, das outras escolhas e vira tudo amor, por que afinal de contas... Foda-se! :D

Lugar ArteVistas #arteindeestiver #teatrodeanonimo #beiramar #fortaleza #fundiçao #gratidao #errejota #encontros #amigos #boastrocas #caminhos #arteamor #anjosdopicadeiro


Playlist Lugar ArteVistas

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Que a Dança Seja!

Culpo Saturno, pois é natural encontrarmos culpados e por vezes eles nem fazem sentido, mas, Saturno Retrogrado no mês de agosto é um algo que... Apesar que agora e somente agora começa a parecer interessante, e por esse agora que foi-se… (amo escrever, mas poucas coisas me frustam tanto, pois a história se monta de forma não racional, mas o tempo que levo para racionalizada e só então escrevê-la faz com que eu faça sempre uma escolha, escrever ou curtir a viagem). Voltando ao planeta, ele em uma semana voltará para sua rotação normal, - diz a NASA. Para mim a catarse foi ontem e por ontem agradeço mais do que já era grata, agradeço agora pois temo que não haja amanhã, mesmo sabendo que ele existirá até que eu aprender a andar de mãos dadas com meus próprios medos, mas não estou aqui para falar sobre mim, por mais eu tenha começado a me achar uma pauta interessante. Certamente se eu tivesse inteligencia emocional minha vida daria bons livros, o roteirista de mim foi competente na trama, apesar de nem sempre muito atendo ao fato de que me fez sensível. Voltei pra mim, sem nem sair.


corta! edita! Começa outra vez!


Ontem por saudade mandei mensagem que foi respondida com uma informação que entendi como convite.


“Apresento hj as 20
No Alpendre”


Ok!


(O Alpendre, já não se chama Alpendre, e sim Cena 15, mas aos que viveram minimamente o Alpendre, ele ainda se configura como um, enfim).


Entendi como convite e fui. Logo de chegada pra aquietar o espirito reggae e bons abraços e então começa o espetáculo. Se me perguntar o nome, não sei e de verdade tenho entendido que os nomes me interessam cada vez menos, e por isso e só por isso não citarei nenhum nome, de modo que temos a bailarina, o parceiro, o tutor, o sonorizador, o registrador e outros tantos com mais ou menos dor.


Era a segunda seção:


Subimos juntos, sentamos quase todos do mesmo lado - explico: as cadeiras estavam posicionadas como uma quase arena - se fossemos nós em cena nosso palco estaria desequilibrado. Mas, como comunicadora que sou, preciso dizer que par as fotos institucionais, sempre todos juntinhos. O fato é que lá estávamos quando o parceiro mudou a luz e bailarina entrou em cena trazendo com ela o vento forte das noite de agosto e o sonorizador nos ambientou somado aos cheiros e movimentos. De repente já não eramos mais ali, então a bailarina começando por ela benzeu à todos e desejou desejos e nos contou histórias e nos levou para dentro de nós e pro que podemos chamar de centro. Nós, públicos, atentos e emocionados, ninguém passou imune a dança tão repleta de franqueza que a bailarina despida de tudo, nos apresentava. Já estava tudo intenso, quando ela e o parceiro comraçam a preparar a água para um lava pés.

De imediato vivo mais um saída do lugar e tempo, estou de repente vivendo o processo desafiador (pelo menos para mim) de montar o espetáculo Francisco Vive, com direção de Júlio Maciel e realização de Ana Cristina Viana, em meio a esse processo Júlio deixando claro que tipo de relação queria ter conosco nos lavou o pés. Não sei quantos de nós já teve os pés lavados e sente o seu significado, para mim é sempre um momento especial. E talvez por esse motivo ontem dispus-me a lavar dois.

Após algumas provocações que minha alma recebia no decorrer da apresentação, deixei meu medo de lado, peguei a bacia e me debrucei sobre o homem de olhos infantis, enquanto eu lavava seu pé tanto passou por mim que precisei olhá-lo, então, só então percebi seus olhos e um pouco mais, talvez. Ali enquanto lavava pés, lavava -me, esfregava lentamente cada parte dos pés do donos dos olhos e quase conseguia sentir a textura do toco de … (não só boa com nomes, acho), passando pelas paredes das minhas veias, colocando o sangue para bombear, olhei-o mais uma vez agora buscando demonstrar minha plena gratidão por ter me deixado ser ali e penso que ele entendeu. Só depois de enxugar o chão me levantei e vi a amiga - outro parentese (eu havia marcado de encontrar com a amiga para falar sobre um projeto seu, mas minha bateria acabou e eu cheguei a pensar que fosse lhe dar um bolo, mas ela estava ali. Foi bom!). - Ao vê-la me adiantei e peguei outra bacia e continuei meu ritual de lavar minha alma, digo, lavar pés. Tentei a mesma dinâmica de olhar com ela, mas ela de olhos fechados também vivia seu processo de limpar-se, talvez.  Ao levantar-me percebi que o espetáculo tinha seguido. Como a vida. Sentei-me em meu lugar e observei a bailarina, fui aos campos, ao sertão, cheguei a sentir o gosto da comida feita no fogão de lenha e andamos pelo claro/escuro pelo escuro/claro que há...


Lembrei-me do amor e da música dos Paralamas do Sucesso, que diz ”saber amar, é saber deixar alguém te amar”. Só é massa quando é, disse José. Ao final o silêncio, estávamos muito mexidos para seguir as convenções, havíamos chegado muito além do aplauso naqueles instantes cheios..
.
Por fim, conversamos com a bailarina e com o tutor,tentando entender, talvez, mas isso, só depois de serem todos os envolvidos apresentados e as fotos do registrador compartilhadas, para que a quem quiser levar. Eu que não tive os pés lavados, mas sai de alma fluida, escolhi o lava pés.

Com isso quero apenas mais uma vez agradecer a bailarina e todos que estão juntos realizando esse trabalho tão necessário. Gratidão e vida longa.

E ATENÇÃO! Nos dias 22 e 23 de agosto as 15 horas, vai rolar oficina de improvisação com a bailarina, Silvia Moura, no Cena 15.

foto:Jean dos Anjos




Que a Dança Seja!

Culpo Saturno, pois é natural encontrarmos culpados e por vezes eles nem fazem sentido, mas, Saturno Retrogrado no mês de agosto é um algo que... Apesar que agora e somente agora começa a parecer interessante, e por esse agora que foi-se… (amo escrever, mas poucas coisas me frustam tanto, pois a história se monta de forma não racional, mas o tempo que levo para racionalizada e só então escrevê-la faz com que eu faça sempre uma escolha, escrever ou curtir a viagem). Voltando ao planeta, ele em uma semana voltará para sua rotação normal, - diz a NASA. Para mim a catarse foi ontem e por ontem agradeço mais do que já era grata, agradeço agora pois temo que não haja amanhã, mesmo sabendo que ele existirá até que eu aprender a andar de mãos dadas com meus próprios medos, mas não estou aqui para falar sobre mim, por mais eu tenha começado a me achar uma pauta interessante. Certamente se eu tivesse inteligencia emocional minha vida daria bons livros, o roteirista de mim foi competente na trama, apesar de nem sempre muito atendo ao fato de que me fez sensível. Voltei pra mim, sem nem sair.


corta! edita! Começa outra vez!


Ontem por saudade mandei mensagem que foi respondida com uma informação que entendi como convite.


“Apresento hj as 20
No Alpendre”


Ok!


(O Alpendre, já não se chama Alpendre, e sim Cena 15, mas aos que viveram minimamente o Alpendre, ele ainda se configura como um, enfim).


Entendi como convite e fui. Logo de chegada pra aquietar o espirito reggae e bons abraços e então começa o espetáculo. Se me perguntar o nome, não sei e de verdade tenho entendido que os nomes me interessam cada vez menos, e por isso e só por isso não citarei nenhum nome, de modo que temos a bailarina, o parceiro, o tutor, o sonorizador, o registrador e outros tantos com mais ou menos dor.


Era a segunda seção:


Subimos juntos, sentamos quase todos do mesmo lado - explico: as cadeiras estavam posicionadas como uma quase arena - se fossemos nós em cena nosso palco estaria desequilibrado. Mas, como comunicadora que sou, preciso dizer que par as fotos institucionais, sempre todos juntinhos. O fato é que lá estávamos quando o parceiro mudou a luz e bailarina entrou em cena trazendo com ela o vento forte das noite de agosto e o sonorizador nos ambientou somado aos cheiros e movimentos. De repente já não eramos mais ali, então a bailarina começando por ela benzeu à todos e desejou desejos e nos contou histórias e nos levou para dentro de nós e pro que podemos chamar de centro. Nós, públicos, atentos e emocionados, ninguém passou imune a dança tão repleta de franqueza que a bailarina despida de tudo, nos apresentava. Já estava tudo intenso, quando ela e o parceiro comraçam a preparar a água para um lava pés.

De imediato vivo mais um saída do lugar e tempo, estou de repente vivendo o processo desafiador (pelo menos para mim) de montar o espetáculo Francisco Vive, com direção de Júlio Maciel e realização de Ana Cristina Viana, em meio a esse processo Júlio deixando claro que tipo de relação queria ter conosco nos lavou o pés. Não sei quantos de nós já teve os pés lavados e sente o seu significado, para mim é sempre um momento especial. E talvez por esse motivo ontem dispus-me a lavar dois.

Após algumas provocações que minha alma recebia no decorrer da apresentação, deixei meu medo de lado, peguei a bacia e me debrucei sobre o homem de olhos infantis, enquanto eu lavava seu pé tanto passou por mim que precisei olhá-lo, então, só então percebi seus olhos e um pouco mais, talvez. Ali enquanto lavava pés, lavava -me, esfregava lentamente cada parte dos pés do donos dos olhos e quase conseguia sentir a textura do toco de … (não só boa com nomes, acho), passando pelas paredes das minhas veias, colocando o sangue para bombear, olhei-o mais uma vez agora buscando demonstrar minha plena gratidão por ter me deixado ser ali e penso que ele entendeu. Só depois de enxugar o chão me levantei e vi a amiga - outro parentese (eu havia marcado de encontrar com a amiga para falar sobre um projeto seu, mas minha bateria acabou e eu cheguei a pensar que fosse lhe dar um bolo, mas ela estava ali. Foi bom!). - Ao vê-la me adiantei e peguei outra bacia e continuei meu ritual de lavar minha alma, digo, lavar pés. Tentei a mesma dinâmica de olhar com ela, mas ela de olhos fechados também vivia seu processo de limpar-se, talvez.  Ao levantar-me percebi que o espetáculo tinha seguido. Como a vida. Sentei-me em meu lugar e observei a bailarina, fui aos campos, ao sertão, cheguei a sentir o gosto da comida feita no fogão de lenha e andamos pelo claro/escuro pelo escuro/claro que há...


Lembrei-me do amor e da música dos Paralamas do Sucesso, que diz ”saber amar, é saber deixar alguém te amar”. Só é massa quando é, disse José. Ao final o silêncio, estávamos muito mexidos para seguir as convenções, havíamos chegado muito além do aplauso naqueles instantes cheios..
.
Por fim, conversamos com a bailarina e com o tutor,tentando entender, talvez, mas isso, só depois de serem todos os envolvidos apresentados e as fotos do registrador compartilhadas, para que a quem quiser levar. Eu que não tive os pés lavados, mas sai de alma fluida, escolhi o lava pés.

Com isso quero apenas mais uma vez agradecer a bailarina e todos que estão juntos realizando esse trabalho tão necessário. Gratidão e vida longa.

E ATENÇÃO! Nos dias 22 e 23 de agosto as 15 horas, vai rolar oficina de improvisação com a bailarina, Silvia Moura, no Cena 15.

foto:Jean dos Anjos




Lugar ArteVistas - Arte Onde Estiver: A Transformadora Maré Azul no Surf para Crianças Autistas

Sou Roberta Bonfim, atriz, jornalista, instrutora e pesquisadora sócioambiental, e junto com o editor Ceslane Brandão, alimentamos este es...