domingo, 21 de agosto de 2011

Roberta Bonfim: "Viver em Tempos Mortos"

Roberta Bonfim: "Viver em Tempos Mortos": Uma fila na terça, quatro horas nela, mas que problema há nisso, quando o objetivo é assistir Fernanda Montenegro? Foi assim que comecei a ...

"Viver em Tempos Mortos"


Uma fila na terça, quatro horas nela, mas que problema há nisso, quando o objetivo é assistir Fernanda Montenegro? Foi assim que comecei a viver “Viver em Tempos Mortos”, preparando meu corpo e meu espirito para ver a grande diva do teatro brasileiro, falando sobre um tão forte ícone feminino da história do mundo, Simone de Beavoir.


Chego ao teatro dez minutos antes do espetáculo, sigo para minha cadeira B7, e observo o palco e as pessoas que estão ali para assistir ao espetáculo. Em off alguém nos pede para estarmos atentos aos celulares e entra em cena uma produtora cultural para ler a carta dela e dos colegas, uma carta sensível e preocupada com a cultura do nosso país.
Toca o primeiro sinal e meu coração dispara como se fosse eu a entrar no palco, toca o segundo sinal e meus olhos enchem-se de lágrimas e tudo em mim vira um turbilhão, no terceiro sinal me aquieto e espero e ela entra lentamente, senta-se em sua cadeira e a voz forte da atriz fala a feminista, conta histórias e emociona. A luz é um foco e todas as emoções são passadas pelo rosto, fala e sentimentos ali existentes, por horas penso ver ali na minha frente Simone de Beavoir e se me fosse possível eu conversaria,  ou melhor muito perguntaria, tentaria entender as entrelinhas, mas como tal não me é permitido, limito-me grandiosamente a assistir tudo, pés, mãos e olhar. Vez ou outra parecia uma boneca ali falando, tão forte as expressões de seu rosto e força de sua voz.
Liberdade, amor, acaso, Sartre, educação, pensamento, Simone, dom, solidão, paixões intelectuais e Fernanda Montenegro. Preciso admitir que em determinada hora do espetáculo eu já não identificava o foco da emoção, apenas me emocionava e me realizava com tamanho talento.
Ao final uma certa inercia, não é possível se desplugar fácil do todo visto e sentido, imagens que se desenham em nossa imaginação, estimuladas e conduzidas com maestria e cuidado. Nem sei quanto tempo de palmas e as minhas mãos não conseguiam parar de aclamar o teatro e força que se precisa ter para ali estar. Seria hora de sair e refletir sobre essas duas incríveis mulheres, mas a atriz orgulhosa (no melhor sentido dessa palavra) agradece e narra um pouco da importância do teatro Dulcinda e da própria artista que colocou e lutou pela arte, pelo teatro brasileiro como opção de vida. Dessa forma sai do teatro cheia de tantas mulheres e repleta de tantas reflexões, e sonhos e ideias e desejos e força e fé.
Algo que minhas palavras não acompanham!

Língua



Voltar pra casa é sempre um exercício, escadas e ladeiras, e gente, muita gente, pessoas da Lapa, dos mais diversos tipos e jeitos. E para minha surpresa, mais uma dentre tantas, na subida dessa escada, tem uns teatrinho lindo, super aconchegante, do tipo que eu quero vim a me apresentar, mas dessa vez fui convidada a assistir o espetáculo Língua e o convite partiu dos atores em seus figurinos. Como resistir?

Entramos camisinhas no balcão, como não podia deixar de ser em uma cidade tão sexual e começa o espetáculo. Um tapete vermelho estendido no chão, dois atores e um músico, assim que se apresentam.
Língua é sem via de dúvidas um espetáculo dinâmico, extrovertido, que coloca uma super lente de aumento nas questões de comportamento, vemos em cena alguns casais e as identificações são ótimas e a risada é certa e lembro, no palco há dois atores, Nanin e Humberto e um músico Fernando. De machos a fêmeas, de mulheres surgem homens e assim as relações são discutidas e reveladas.
O encontro dos personagens se dá numa balada qualquer, numa noite qualquer, o que nos leva a ter foco na informação da peça. “São situações. Que sugerem uma continuidade... Ou não”.
Sair do espetáculo cheia de uma alegria boa, pela constatação do poder do ato teatral e tudo que vem junto. E que as línguas falem, ajam e comuniquem.

domingo, 14 de agosto de 2011

Longa Vida Aos Pais

Hoje é domingo e seria apenas mais um domingo, se não fosse o fato de ser o segundo domingo de agosto, dessa forma Dia dos Pais. Para muitos talvez seja um dia triste, para outros apenas um domingo, para alguns um domingo perdido com a família em um churrasco e para outros o melhor dia do ano.

Quando crianças o pai é uma espécie de super herói, o que não erra, não sente medo e nem chora,é o homem mais forte do mundo, nosso Paizão. Um dia, no entanto, percebemos que eles erram, sentem e choram e sentimo-nos decepcionados e pensamos: Super-heróis não cometem erros...

Durante anos ficamos num cabo de guerra sem fim, ele puxa, nos puxamos, medindo forças vamos caminhando, ele dando as regras e agente tentando não obedecê-las pelos mais diversos motivos. Mesmo os pais ausentes são presentes em dias como esses. Mesmo sendo ausentes estão sendo o melhor que podem ser, o que não nos tira o direito de querer mais, ou menos.

Assim como as mães, são fundamentais para nossa existência e só por isso tudo devemos gratidão. Acho essa uma das palavras mais belas do dicionário. Gratidão!

Então chega uma hora em que as magoas se dissipam ou ganham proporções assustadoras e daí pra frente os Pais viram amigos, até que se tornam filhos. E em algum momento ficamos quites.

Feliz Dia dos Pais!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

VIPs

 

Quando foi lançado o filme Vip’s, fiquei na defensiva em assistir, pois estava com o Capitão Nascimento ainda muito vivo em minhas memórias. Agora, no entanto, só consigo ver todos esses homens que se apresentaram a mim, Marcelo, Carreira,Renato Russo, Henrique Constantino, Juliano e tantos mais.

Wagner Moura teve em VIPs não apenas a chance de interpretar um personagem plural,com um mosaico de personalidades, capaz de proporcionar a um bom ator a chance de exercitar sua arte, mas também de demonstrar sua versatilidade. E o faz com a competência e perfeição costumeira. Tanto que levou o prêmio de melhor ator no Festival do Rio 2010 (VIPs também ganhou os prêmios de melhor filme, ator coadjuvante para Jorge D'Elia e atriz coadjuvante para Gisele Fróes).

Marcelo desde de muito jovem tem dificuldades de desenvolver sua própria personalidade e se diverte imitando outras pessoas. Seu grande sonho? Ser piloto de avião, assim como seu pai. Para isso, foge da casa da sua mãe rumo, e no Paraguai dá início à maior aventura de sua vida, sempre e cada vez mais se passando por pessoas diferentes e aplicando golpes, até fingir ser o filho do dono da companhia aérea Gol, no carnaval de Recife.

A ausência de medo deixa claro o distúrbio psíquico do protagonista que em determinado momento se quer se reconhece. Mas, afinal, quem é esse cara? Talvez nem ele mesmo saiba. O longa é baseado no livro VIPs: Histórias Reais de um Mentiroso, de Mariana Caltabiano, com roteiro de Braulio Mantovani e Thiago Dottori. Além do competente e estreante diretor em longa-metragens Toniko Melo (da série Som e Fúria).

Quem assistiu ao filme “Prenda-me se For Capaz”, perceberá a semelhança entre os filmes. Narrativa e esteticamente, VIPs é um excelente filme e faz juz ao crescimento da produção cinematográfica brasileira. Ao mesmo tempo em que diverte, faz pensar. Mas, no fim, fica a incômoda sensação de que, não só no Brasil, mas no mundo, para ser famoso, admirado ou bem sucedido não é preciso mais do que ser talentoso na "arte" da mentira. Será?

Cilada.com

 

Como o próprio nome já diz é uma cilada, mas uma cilada com cenas bem engraçadas, não todas, mas algumas. Devo admitir, prefiro mil vezes a serie ao filme. Posso esta enganada, mas a sensação que tenho é a de que faltou cuidado, com o longa, e com a vista e ouvido do publico, pois os exageros, deixam o longa com características bem overs.

Se fosse melhor trabalhado ainda sim, Cilada.com não seria um filme imprescindível, mas certamente alcançaria o reconhecimento como uma comédia romântica eficiente. Pois não é. Até existem bons momentos, mas longe de ser uma constante, o que me deixou decepcionada, já que busquei o filme na certeza de boas risadas. O que me parece é que o brilho se esconde por trás de um roteiro que peca algumas vezes pelos excessos, outras tantas pela falta de discernimento e – lamentavelmente - pelo mau gosto.

No longa, o adorável Bruno Mazzeo interpreta o publicitário Bruno, que vê sua vida se transformar num inferno depois de ser flagrado traindo a namorada Fernanda (Fernanda Paes Leme). Ela, para se vingar, publica na internet um vídeo íntimo do casal que faz com que Bruno vire alvo de piadas dos amigos de trabalho. Daí pra frente é uma exibição de todos os clichês das comédias românticas americanas. José Alvarenga certamente fez o que pôde ser feito.

É uma satisfação ver uma conterrânea no filme, mesmo seguindo a linha da nordestina secretária do lar (RS!). Ponto auto para Sergio Loroza que com seu jeito malandro e ingênuo ganha a cena.

Bem, rir não é pra todos e fazer rir não é fácil.

Sete Vidas

Sexta a noite procurando algo cultural pra fazer que não fosse muito caro e em um horário que coubesse no tempo, a opção foi assistir filme em casa. O filme “Sete Vidas”, com Will Smith no papel de Bem Thomas ou seria Tim? O fato que é um filme pra chorar e refletir.
Com roteiro de Grant Nieporte, que fala de um agente da Receita dos Estados Unidos que está disposto a achar sete pessoas dignas de serem ajudadas, dando-lhes um tempo extra de se acertar com o leão do fisco. Isso se ele for com as suas caras e tiver certeza de que eles não estão tentando passar a perna no governo por mal, mas sim porque realmente precisam de ajuda para voltar a se encaixar na sociedade.
O plano corre bem até que o que ele não esperava acontece, Emily Posa (Rosaria Dawson) o procura e Bem a segue enquanto a investiga. Quando ela percebe que tudo o que ele quer é realmente ajudá-la, Emily se abre. Em troca, esperava o mesmo do seu novo "amigo". Mas ele, por sua vez, prefere manter-se afastado, ajudando sem ser ajudado.
As barreiras entre eles começam a cair ao mesmo tempo em que vão sendo reveladas as reais intenções e motivações por trás de Ben - e o seu passado. O filme é montado com vai-véns temporais, que mostram pequenas peças desse mosaico que é a vida. Do suspense inicial chega-se ao romance e, enfim, ao drama que motivou tudo.
O longa dirigido por Gabriele Muccino é um exemplo de racionalidade inserida na extrema humanidade. Vale a pena conferir!


Lugar ArteVistas - Arte Onde Estiver: A Transformadora Maré Azul no Surf para Crianças Autistas

Sou Roberta Bonfim, atriz, jornalista, instrutora e pesquisadora sócioambiental, e junto com o editor Ceslane Brandão, alimentamos este es...