Percepções...
Dando satisfação: Faço este blog faz alguns anos, aqui já escrevi um pouco de tudo e apesar de ficar encabulada, vou me esforçar para sempre escrever quando penso fazê-lo. Como resumo, aqui escrevo 'percepções', nada além que o meu recorte.Tá? Pronto, satisfações dadas, chega ai e vamos trocar percepções.
Grata!
O diretor chama, os atores se apresentam, o palhaço anuncia:
Começou a fantasia! E pode ser de qualquer tipo, pode ser até real. No teatro
por vezes encenamos fantasias reais ao tempo em que vivemos realidades
fantásticas. E o palhaço que é curinga e nada bobo, se diverte com tudo e todos. É tudo
assim desse jeito meio teatral de entrar na arena, subir ao palco e encarar as
feras. Contemplar a magia bem de pertinho e vencer os medos, sentindo todas as
vibrações e ao final, aquele som...
Aquele som de duas palmas de mão se encontrando
deixando claro que o encontro ali na frente, no centro ou em qualquer lugar, se
desenvolveu. O aplauso é o ibope do teatro. Pena que não nos encha de
patrocinadores. Mas estamos melhorando, é preciso crer e trabalhar, todos os dias.
Ir fazendo tudo que precisa para se sentir feliz e de quebra receber seus bons
trocados, pois viver também nos é de direito.
A questão é que as cortinas já estão abertas e é hora de
viver, às vezes valem as máscaras, outras vezes elas são nossa única defesa e
existem ainda os momentos em que são nossas piores inimigas. Mas o bom mesmo é
a leveza da verdade. É permitir ser-se, desaprender a interpretar, quebrar
essas regras que já não nos cabe mais e respeitar nossas bagagens. É preciso
que entremos em cena na vida para defender nossas verdades sem nunca deixar de
respeitar a vontade dos demais, e quem sabe se nos for possível contribuir
positivamente à nossa arte.
Esses dias, assisti a um espetáculo que me fez lembrar por
que resolvi fazer arte, pois é isso que faço, faço arte nessa vida, escrevo
histórias, leio poemas, conto vidas e enceno outras, anuncio e produzo, mando
fotos, registro momentos, ensino e aprendo, caminho e penso e vivo... E de
verdade: O que é a vida se não um grande espetáculo? Uma grande arte!
Feliz Dia do Teatro e Do Circo, parabéns aos artistas e a arte.
Hoje meus, olhos, lembranças e humores se deparam com
imagens que a tempos não via, imagens de um eu, e uns deles e de todos nós. Imagens que ainda existentes, já passaram e o desejo por mais.
Queria conseguir ter olhar critico, mas como criticar um
momento de dança e entrega? Como criticar a arte? Quando um dos meus eu é parte dela.
Grata João Paulo e Diego, meus amigos, meus parceiros, nessa
vida e em tantas outras.
Desaprendemos o silêncio? Ela
não! Assim é (era) Pina, silenciosa em palavras. Mas o que são as palavras?
Quando a alma fala, nada mais precisa ser dito, verbalizado, explicado.
Gostaria de conseguir ser silenciosa e mostrar com minha alma as minhas mais
honestas emoções, entrar em contato com o “Eu” maior, que no geral deixamos
preso naquela caixinha pequenina. Pois esse “Eu” é livre, leve e certamente
dança.
Pensei em muitas formas de falar
sobre esse filme, além do que é visto. Gostaria de falar sobre o sentido. Enquanto não encontro uma palavra que expresse esse silêncio que grita em mim
após assistir a homenagem à coreógrafa alemã Philippine Bausch (que conduziu a Tanztheater
Wuppertal, companhia de dança, durante 35 anos); falemos dos recursos técnicos e humanos utilizados:
O longa dirigido pelo cineasta
alemão Wim Wenders (de Asas do Desejo, Paris, Texas e Buena Vista Social Club),
utiliza-se de um recurso muito interessante para mesclar imagens em 2D: a
câmera fica atrás de um projetor de cinema, assim vemos o projecionista e as
costas do público, como se estivéssemos em outro cinema, ou em um teatro-dança
que precisava conquistar também o cinema. A questão é que essa imagem projetada
de dentro da cabine de projeção é em 2D, o que facilita a utilização das
imagens de arquivo sem causar muitos danos.
Com uma fotografia simplesmente
linda e poética, com imagens de lugares tão distintos e tão iguais, assim como
todos nós. As coreografias são algo arrepiante, que nos leva a sentir junto com
os bailarinos, sensações outras. Por vezes senti vontade de dançar, como sinto
agora ao lembrar. Mesmo quem não gosta de dança vai se surpreender com algumas coreografias.
A utilização dos elementos, terra e água, além dos espaços externos,
que enriquecem ainda mais as imagens dando organicidade a cena que se
desenvolve. Por vezes quase quis crer que eu estava na poltrona de algum teatro
assistindo a algumas daquelas maravilhas. Cena do “Café Muller” que eu já havia
me maravilhado em “Hable con Ella”, de Pedro Almodóvar, nos é apresentado em
sua concepção. Vale dizer que o longa que tem formato de documentário, trás
depoimentos dos mais diversos bailarinos de Pina e a exposição do quão visceral
era seu trabalho, o que fica claro em falas como: “Você é a pessoa mais frágil
do grupo, e essa é exatamente a sua força”, ou: “Procure seu caminho”. Sendo a
exposição de uma arte livre.
E preciso dizer: O Brasil é lindamente representado, com dança, alegria (elemento usado pela bailarina brasileira - perdoem-me minha desatenção ao seu nome) e em música, com "Leãozinho", de Caetano Veloso.
Com tudo, não sei se temos púbico
disposto a tanto, pois como já foi dito é um filme sensível e silencioso, que
para um publico acostumado com X-Mam, Harry Potter, pareça um pouco monótono depois
dos primeiros 30 min.
Infelizmente não conseguirei
externar além, pois sinto urgência em dançar antes que música acabe.
Encontrar é um verbo de ação.
Quando você encontra algo, ou alguém, você está num lugar. O objeto ou a pessoa encontrada
estabelece ou mantém uma relação com você. Isso tudo acontece em um ritmo, um
tempo. Encontrar não é necessariamente um ponto fixo. O encontro dura qualquer
tempo, um segundo, uma hora, uma vida... E uma vida nem sempre é uma ação.
Dessa forma encontrar, não é Só uma ação. Seria isso? A questão é; ontem
senti o gosto do prazer no encontro. Um encontro que veio do desencontro. Confuso?
Então vamos por parte.
Ontem foi domingo e domingo é
sempre um bom dia para se preguiçar, mas também é bom demais ir ao teatro.
Existiam duas possibilidades, topei as duas, depois descobri que a primeira era
um infantil. Amo espetáculos infantis quando vou com crianças. Ok! Admito,
gosto do espetáculo que a criançada faz enquanto assiste, gosto de aprender com
isso, mas essa observação só é feita por mim dignamente quando conheço a
criança e entendo suas reações. Enfim, por preguiça não fui e quando eu já
pensava em também desistir do segundo, fui convidada para um terceiro. Me
conhecendo como me conheço, topei e partir sem pensar duas vezes.
Logo que chegamos ao Teatro
Dulcina, percebi que se tratava de um Festival. E eu adoro festivais! Acho um grande barato, viajar fazendo o que se ama, poder apresentar esse trabalho a
outros públicos, trocar experiências, ganhar uma graninha e principalmente experimentar.
O espetáculo da noite: DentroFora, Grupo
IN.CO.MO.DE.TE (RS).
Duas caixas com duas personas,
cada uma em uma caixa. Um homem e uma mulher, ambos com roupas lindas, apesar
das listras (preto e branco) que dava ar de prisão. Ali nas caixas, presos, cada
um na sua, eles conversam sobre a vida. O texto de Paul Auster trata de temas até bem curiosos. Com uma boa
iluminação. Mas...
Falta algo!
Senti falta de ser fisgada e o louco é que é um
espetáculo bom, tecnicamente bom, com uma boa proposta e bons atores, mas não
chega. Não desempenha, pelo menos não desempenhou comigo seu papel de alterar a
partir dessa comunicação. O que não justifica nem de longe a falta de respeito
de alguns que se retiraram no meio do espetáculo fazendo barulho,
pisando forte no chão. Não entendo por que essas pessoas não sobem logo no
palco, já que querem ser o espetáculo.
A questão é que ali naquele
teatro lindo eu vi um bom espetáculo, mas que eu não gostaria de fazer e tentei
encontrar teorias que o justificassem. O Teatro do Absurdo foi o que a meu ver
melhor justificou, junto com uma linha expressionista. Sei lá. É perceptível que houve
uma pesquisa corporal, mas... Desencontramos-nos.
Próxima parada: Copacabana, era a vez do outro espetáculo, “de Repente”. Não sabíamos onde
ficava o espaço (Chama-se Reserva, é uma loja de surf e afins de dia e nos
finais de semana a noite abraçou esse espetáculo). E me questionei sobre quanto
de busca há no encontro, logo que me deparei com o lugar. (Muito poderia falar
sobre o momento da espera, mas existem coisas que se bastam sendo sentidas).
Entramos, sentamos no chão e...
Fui fisgada!
Não por que o texto trata da nordestinidade, por mais que
eu me sinta orgulha com a poesia do repente e tenha matado as saudades de um
som e um ritmo. Para, além disso, fui fisgada pela simplicidade, pela coragem
de encarar os que estão ali, para encarar todos nós e devagarzinho ir
conquistando espaço. Entre uma música e outra que os atores, também um casal,
narram a história de Antônio e Solange. E também desse grupo teatral. E de
olhos marejados deixei o espaço após sinceros e calorosos aplausos. Bravo!
Bravo! Eis o entro esperado!
Penso que melhor que eu eles
podem falar desse espetáculo tão delicioso de ver e sentir.
Serviços:
Festival – Mostra Nacional
Funarte de Dança e Teatro Mambembão. 23 a 26 de fevereiro.
Falemos sobre Dorian Cray,
falemos sobre todos nós e nossos sempre(s). Falemos sobre o Príncipe Encantado,
a Vaidade, o amor, falemos sobre morte, beleza, solidão e carência e falemos
sobre arte. Mas não podemos esquecer de falar da dor, da vingança, da maldade e
da bondade, não podemos esquecer das prioridades e da ingenuidade, de achar-se
superior. E da liberdade, da humanidade e do sonho pela divindade. Falemos
sobre o feio e sobre o sexo, falemos de prazer e de medo. Falemos sobre todos
nós e essas tantas dualidades. Falemos sobre Dorian Cray. Sobre um sábado e um espetáculo, falemos sobre
o tempo e a maturidade.
Entrar no teatro Glaucio Gill e
procurar a poltrona marcada (nunca gostei de lugares marcados), e a atmosfera
ali dentro era outra, me senti um tanto tonta, mas não uma tontura ruim, uma
tontura ótima. Nessa busca pela poltrona esbarrei em um dos atores que
repetindo minha pergunta pôs-se a rir e eu automaticamente acompanhei aquela
gargalhada, tentando manter-me racional, continuei caminhando e sentei-me,
respirando fundo e foi quando me deparei com outra atriz falando e indagando a todos
nós sobre o tempo, a beleza e expondo a nós nossas vaidades, nos oferecendo um
hidratante (Nívea – me questionei se a empresa estava como apoiadora). E mais
uma vez eu mergulhava em uma tontura boa que deixava as imagens um pouco
turvas, como se nada fossem além de lembranças.
Só quando a história tornava-se una,
substituindo as tantas energias e sensações, que consegui voltar-me ao olhar de
espectadora. Naquele instante lembrei-me que se tratava da adaptação do romance
“O Retrato de Dorian Gray” que causou escândalo e controvérsia na Inglaterra
vitoriana. Onde Dorian é um homem rico que vende sua alma em troca da juventude
eterna. O tempo não altera sua aparência, mas sim a de seu retrato mágico, que
não apenas envelhece, mas, sobretudo revela sua decadência interior, do
dramático irlandês, Oscar Wilde (1856-1900), um defensor da arte pela arte. Senti
vontade urgente de ler o livro antes que o espetáculo se desenrolasse. O que
seria impossível.
E via ali na minha frente o
romance que não li se desenrolar, apesar das dificuldades de converter
literatura em teatro, é inegável a aproximação séria e digna que vamos
desenvolvendo no decorrer da apresentação, com o romance de Wilde. Penso que
tal envolvimento seja mais facilmente provocado pela interação do elenco com a plateia,
nem tanto pelos textos trocados, mas pelas expressões diretas.
Meus sinceros parabéns e
agradecimentos a Renato Farias e a toda equipe que nos presenteia com tão digna
obra. Mas preciso também dividir meu incomodo com o forte tabaco, não sou
contra utilização do mesmo em cena, acredito inclusive que ajude na ambientação,
mas penso que sua diminuição, seria interessante.
Com relação ao elenco, todos
estão muito inteiros, mas as atrizes me parecem mais seguras e entregues. Outro
ponto é o ator Augusto Garcia que em alguns momentos não me convence em suas
intenções. Mas no geral é um grande espetáculo, onde é possível perceber a
pesquisa e o cuidado com o que nos é apresentado e esse respeito é fundamental.
Vou agora ler o livro e assistir
aos filmes e depois assistir ao espetáculo mais uma vez. hihihihi
Serviço: Texto de Oscar Wilde. Direção de Renato Farias. Com
a Companhia de Teatro Íntimo. Teatro Glaucio Gill. Sábado, domingo e segunda às
21h.
Quem conhece meu Nordeste sabe que lá é terra de gente boa, trabalhadora e talentosa. Mas que alguns se destacam, é o caso de Humberto Teixeira, cearense retado que junto com Luiz Gonzaga conquistaram a alegria merecida, presente que só quem faz música sabe. E Lírio Ferreira que não é bobo nem nada, viu ai a chance de homenagear gente tão nobre que sempre viveu à sobra de seus interpretes, com alegria de doação. e convidou para estar com ele no longa “O Homem que Engarrafava Nuvens”, Denise Dummont, filha de Humberto que aceita a empreitada e aproveita-se dela para buscar conhecer e entender melhor o próprio pai. Parte com Lírio, em viagens nas quais entrevistou pessoas importantes, que lhe contariam histórias sobre a vida pessoal e profissional desse homem que se apresentava a ela. O compositor de mais de 400 músicas e quase permanente parceiro do inesquecível Luiz Gonzaga.
O diretor vai apresentando, na primeira parte do filme, a história da vida profissional do literato, poeta, escritor e músico, narrada por ele mesmo, através de um precioso depoimento que ele gravou em super 8. Ele estourou com marchinhas e sambas, mas seu grande nicho e sua grande obra veio do baião.
O grande mérito do documentário é que ele não se prende nem ao passado e nem ao presente. Com entrevistas com: Caetano, Gil, Gal, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado), Elba, Fagner, Belchior, Wagner Tiso, Chico, Mutantes, Zeca, Lenine, Otto, Sivuca, Patativa do Assaré, Carmem Miranda (em Technicolor!), Dalva de Oliveira, Carmélia Alves e muitos e muitos outros.
Se o remédio para a saudade for cantar, curemo-nos da nostalgia de tempos que se foram, assistindo o filme e relembrando músicas que com certeza fizeram parte da vida de todo mundo, mas que não sabemos quem as compôs.
Nem sei por onde começar, não sei se falo sobre o filme, ou se sobre como ele chegou a mim em um dia sensível, se falo da música, do roteiro baseado em fatos reais, dos personagens tão lindos, ou do tom em que o filme acontece e se conta e transforma tantas vidas, a partir do sonho de uma e o amor circundante.
"Minha Vida na Outra Vida", conta a história de Jenny (Jane Seymour), uma mulher do interior dos Estados Unidos, que tem sonhos e lembranças e se permitindo aceitar o novo, para tentar desvendar o mistério em torno de si e de umas lembranças, se submete a hipnose e aceita a possibilidade de Mary, uma mulher irlandesa que faleceu na década de 1930, ter sido uma de suas encarnações. Intrigada, Jenny sai em busca de seus filhos da vida passada, afim de concluir sua missão e entender suas reações atuais. Tem início então, uma jornada emocionante de profundas reflexões dos personagens, que por vezes chegou a me perturbar.
O longa metragem que tem como tema principal a reencarnação, também trata dos conflitos familiares, da perspectiva da loucura, das consequências dos atos vividos na infância e do reencontro de almas. Difícil falar tecnicamente sobre um filme que trata de assuntos tão internos. Dessa forma limito-me a dizer que é lindo e que vale muito assistir e se deixar refletir.